Tons quentes, ladrilho azul e muita personalidade
02 mar, 2026 | De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Eduardo Macarios / Divulgação
Escritório: Küster Brizola Arquitetos
Área: 140m²
Localização: Curitiba, Paraná
Em Curitiba, este apartamento de 140m² assinado pelo escritório Küster Brizola Arquitetos revela uma reforma que vai além da estética para tocar em algo essencial: identidade. Projetado para uma única moradora e seus gatos, o imóvel nasceu do desejo de transformar um grande sonho em realidade, com cor, memória e personalidade impressas em cada escolha.
A proprietária chegou ao escritório pelas redes sociais do arquiteto e trazia pedidos muito claros: queria um espaço comum amplo e integrado para receber amigos, uma atmosfera divertida e acolhedora e ambientes que acomodassem tanto o home office quanto hóspedes eventuais. O ponto de partida foi estrutural, com a demolição de paredes para unificar sala de estar, jantar e cozinha, mas rapidamente a intervenção ganhou contornos sensoriais, explorando texturas, contrastes e uma paleta vibrante, como conta a moradora:
“Esse apartamento era um grande sonho da minha vida. Ter uma casa que tivesse a minha cara, a minha personalidade. Eu não queria que fosse apenas uma casa linda, mas um espaço com vida. Isso só poderia acontecer se fosse um lar que comportasse a inclusão das minhas coisas, das minhas lembranças de viagem, dos quadros de que eu gosto. Para mim, também era essencial que houvesse cores quentes, que animassem a casa. Por isso, me alegrou muito a ideia de usar tons terrosos, como o vermelho e o amarelo.”
O piso de taco existente foi preservado e revitalizado — a única permanência estrutural do apartamento original — tornando-se a base afetiva da nova composição. Nas áreas sociais, a madeira conversa com paredes em terracota e mostarda, criando planos quentes que aquecem a luz natural. Já na cozinha, o ladrilho hidráulico azul introduz uma pausa cromática inesperada, em contraste com a ilha avermelhada executada em serralheria. Painéis e armários de madeira percorrem os ambientes integrados, conectando-os visualmente e garantindo unidade.
“Outra questão da qual eu fazia muita questão, e que os arquitetos respeitaram bastante, foi o uso da madeira. O piso de taco era a base do apartamento e foi a única coisa mantida. E, nossa, ainda bem, porque eu adoro esse piso e ele ficou lindo combinado com o ladrilho hidráulico!”
A dinâmica do espaço social reflete o desejo de receber. Há fluidez entre estar, jantar e cozinhar, funções que deixam de ser compartimentos isolados para se tornarem um único cenário de encontros. Texturas distintas convivem com naturalidade, como a superfície tátil do taco, o desenho gráfico do ladrilho, o metal da ilha, a marcenaria que abraça. O resultado é um ambiente vivo, com ritmo e camadas, onde cada elemento parece ocupar exatamente o lugar que lhe cabe.
O apartamento conta com duas suítes. A master mantém diálogo com a área comum ao repetir o tom mostarda na parede, reforçando a coerência da paleta, e incorpora o ladrilho hidráulico na área de banho, ampliando a narrativa material. A segunda suíte foi desenhada a partir da versatilidade: funciona como escritório no cotidiano e, quando necessário, transforma-se em quarto de visitas graças à cama embutida no armário planejado. Uma solução inteligente que preserva área livre sem abrir mão do conforto.
“Eu queria que todo mundo que entrasse no apartamento soubesse que aquela era a casa da Amanda, e não uma casa qualquer. Queria um lar para mim, que refletisse o meu humor, o meu estado de espírito, a minha energia, e acredito que os arquitetos conseguiram traduzir tudo isso de forma muito precisa.”
A combinação de cores quentes, madeira, obras de arte e objetos trazidos de viagens constrói uma atmosfera afetiva e cheia de caráter. No fim, o projeto revela que personalidade não se impõe — ela se manifesta, quando arquitetura e moradora falam a mesma língua.




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