Refúgio de fim de semana entre a natureza e o mar
02 fev, 2026 | Acima de 200 m2, Praia

Fotos: Rafael Renzo / Divulgação
Escritório: Studio Liana Tessler
Paisagismo: Rodrigo Oliveira
Área: 530m²
Localização: Guarujá, São Paulo
Assinada pela arquiteta e moradora Liana Tessler, esta casa de condomínio em Guarujá, São Paulo, nasceu com um desejo muito claro: ser um refúgio de final de semana em diálogo direto com a mata e com o mar. Desde o início, o projeto foi pensado para desaparecer na paisagem, permitindo com que a vista reinasse e que a natureza fosse a grande protagonista da experiência do morar.
Com 530m² distribuídos em três pavimentos, a casa abriga um casal com três filhos pequenos e três cachorros, além de estar preparada para receber os filhos mais velhos do marido e hóspedes. O pedido principal era criar uma arquitetura com personalidade, que traduzisse um DNA despretensioso e acolhedor, mesmo respeitando as regras rígidas do condomínio, onde a tipologia das casas precisa seguir um padrão pré-estabelecido.
“Projetei essa casa para ser nosso refúgio de final de semana. Nosso maior desejo era nos sentir abraçados pela mata e que a casa fosse ‘transparente’ para que a vista ao mar reinasse.”
A fala da arquiteta-moradora resume bem o espírito do projeto, que valoriza a fluidez dos espaços, a integração com o entorno e uma atmosfera leve, pensada para ser vivida sem restrições. O ponto de partida foi dar nova vida à estrutura existente, originalmente projetada por Claudio Bernardes há mais de 20 anos, que passou por uma restauração completa. As vigas e pilares de madeira Maçaranduba, exigidas pelo condomínio, estavam bastante deteriorados e precisaram ser reformadas. Onde a substituição foi inevitável, a solução encontrada foi o uso de concreto armado com pintura que remete à madeira, reduzindo a necessidade de manutenções frequentes em um contexto de alta umidade e maresia.
A escolha dos materiais seguiu a mesma lógica: durabilidade, custo razoável e uma identidade brasileira e tropical. Madeira e superfícies que a evocam aparecem em diversos pontos da casa, como o forro vinílico e o MDF Naval em tonalidade próxima ao freijó. Na área social, o piso de Quartzito Clover se apresenta em placas de porcelanato cortadas em formato orgânico irregular, com rejunte aparente, trazendo textura e informalidade ao conjunto.
Na área gourmet, o pergolado revestido com biribas cumpre dupla função: proteger do sol intenso e criar um jogo de sombras que se projeta no piso ao longo do dia. Um jardim vertical com irrigação envolve esse espaço, garantindo privacidade em relação ao vizinho e reforçando a sensação de estar imerso na vegetação. O paisagismo, assinado por Rodrigo Oliveira, atua como uma extensão da arquitetura, costurando interior e exterior.
Entre os detalhes que tornam o projeto único, está a escultura posicionada sob o vão da escada: um cipó pintado de vermelho da Ecoarts, em referência direta ao nome da arquiteta, Liana. Outro elemento curioso é o espelho instalado na testeira acima da viga, em formato triangular, que amplia a sensação de profundidade e leveza no térreo. Já no lavabo, a cuba de madeira trazida de uma viagem ao exterior divide o protagonismo com poucos itens não brasileiros da casa, ao lado da mesa de centro da varanda e do sofá do living, reforçando o caráter afetivo e pessoal deste refúgio à beira da mata.









Deixar um comentário