Paisagismo tropical que abraça a arquitetura

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03 2026

Paisagismo tropical que abraça a arquitetura

05 mar, 2026 | Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Mariana Araújo / Divulgação
Paisagismo: Flávia D’Urso Paisagismo
Arquitetura: Luiz A. Lanza
Área: 1.533m²
Localização: Nova Lima, Minas Gerais

Em Minas Gerais, a arquiteta paisagista Flávia D’Urso assina o projeto paisagístico desta residência de 540m² implantada em um terreno de 1.533m², concebida do zero em um condomínio fechado. A arquitetura contemporânea, de linhas precisas e volumes bem definidos, leva a assinatura de Luiz A. Lanza, e encontra no jardim um contraponto orgânico, capaz de sustentar e suavizar sua presença, revelando uma paisagem que não atua como moldura, mas como elemento ativo na construção dos espaços.

A residência nasceu para abrigar um casal de empresários com dois filhos pré-adolescentes, em uma fase em que o tempo em família e a qualidade do cotidiano ganharam centralidade. O pedido era claro: criar um jardim que promovesse integração com a natureza, garantisse privacidade e oferecesse conforto visual sem excessos. O contato com o verde deveria atravessar a rotina, proporcionando sombra, silêncio e sensação constante de abrigo, e um cenário que pudesse ser vivido ao longo do dia e observado de diferentes pontos da casa.

A vivência do morar associada à conexão com a natureza motivou a ampliação do paisagismo ao longo do tempo.”

Desenvolvido após a conclusão do projeto arquitetônico e da construção, o paisagismo parte da leitura atenta da topografia, dos eixos visuais e dos percursos cotidianos. O conceito propõe que o jardim abrace a casa, dissolvendo limites entre interior e exterior por meio de transições orgânicas. Manchas vegetais contínuas, volumes generosos e contornos sinuosos estruturam a proposta, inspirada na tradição tropical brasileira, explorando textura, densidade e sobreposição para criar profundidade espacial.

A setorização do terreno evidencia esse raciocínio. Na fachada, o desenho é marcado por palmeiras carpentaria e solitária, combinadas ao guaimbê, estabelecendo um contraste entre verticalidade e horizontalidade. Na base do lote, a composição torna-se mais densa, com palmeiras e gramado consolidando a leitura da paisagem. No entorno imediato da residência, maciços de clúsia e pleomele formam uma barreira vegetal permeável, que assegura privacidade e cria uma transição gradual entre níveis e ambientes.

Ao todo, cerca de 30 espécies foram selecionadas para compor camadas vegetais coerentes com a arquitetura. As pinangas coronatas já existentes estruturam o jardim e desenham o horizonte verde da casa, funcionando como pilares naturais que marcam eixos com elegância. Para integrá-las à nova proposta, forrações e maciços de agapanto, alocásia, fênix e árvore-samambaia desenham planos e estabelecem ritmo. Grandes folhagens tropicais, como guaimbê e pleomele, acrescentam volume e sombra, ampliando a sensação de profundidade.

“Mais do que a quantidade, o foco esteve na criação de camadas vegetais, em que cada espécie desempenha papel específico na experiência do espaço.”

Um dos principais desafios foi justamente integrar a fachada que já contava com duas pinangas e grama-amendoim, condição que criava a percepção de uma arquitetura seccionada. O redesenho do paisagismo trabalhou a horizontalidade e a continuidade visual, equilibrando o que estava consolidado com as novas inserções. O resultado é uma leitura coesa, em que vegetação e volumes construídos se complementam de maneira natural e atemporal.

Este é o terceiro projeto desenvolvido para os mesmos clientes, relação que se consolidou a partir de indicações e da afinidade com o trabalho do escritório. Ao longo do tempo, a experiência do morar associada à conexão com a natureza motivou a ampliação do paisagismo, reforçando seu papel estruturador na arquitetura e na vivência cotidiana. O jardim, aqui, amadurece com o passar dos anos e transforma-se junto à família, confirmando que paisagem é também forma de pertencimento.

“O projeto reforça o paisagismo como elemento estruturador da arquitetura e da experiência de morar. Mais do que um jardim ornamental, trata-se de uma paisagem pensada para ser vivida, observada e sentida diariamente.”

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