Paisagismo orgânico entre linhas contemporâneas
23 fev, 2026 | Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Jomar Bragança
Paisagismo: Flávia D’Urso Paisagismo
Arquitetura: Paula Gonçalves Reis
Área: 1.090m²
Localização: Três Corações, Minas Gerais
Em Três Corações (MG), a paisagista Flávia D’Urso assina um projeto que nasce em diálogo direto com a arquitetura de Paula Gonçalves Reis. Implantada em um terreno de 1.627m², com 1.090m² de área construída, a residência de um casal de empresários mineiros, pais de quatro filhos, revela desde o início a intenção de integrar casa e jardim como partes indissociáveis de uma mesma narrativa espacial.
A arquitetura, marcada por linhas retas, volumes robustos e paleta clara, encontra no paisagismo um contraponto preciso. Curvas suaves, volumetria fluida e uma massa verde densa introduzem movimento e textura ao conjunto. A vegetação, pensada desde as primeiras decisões projetuais, não surge como complemento, mas como elemento estrutural que molda vazios, cria enquadramentos e estabelece conexões visuais entre interiores e áreas externas.
O desejo dos moradores era claro: um jardim exuberante e elegante, com o verde como protagonista absoluto, dentro de uma proposta tropical de baixa manutenção. A composição privilegia espécies com presença e identidade, capazes de oferecer sombra e frescor, ao mesmo tempo em que preservam vistas e garantem privacidade. O resultado equilibra imponência e leveza, reforçando a sofisticação da fachada.
Organizado em setores que respondem diretamente ao uso dos ambientes, o desenho valoriza a entrada com um elemento escultórico vertical. A Palmeira Washingtonia conduz o olhar logo na chegada, acompanhada por maciços de guaimbê e xanadu que estruturam o percurso. Nas laterais, a vegetação é distribuída em camadas, formando barreiras visuais suaves que asseguram privacidade gradual, ventilação cruzada e conforto térmico.
Na área de lazer, onde piscina, espaço gourmet e oratório se articulam, espécies de maior porte criam sombra generosa e sensação de refúgio, sem interferir na circulação. O verde contorna os espaços de convivência e estabelece uma transição natural entre os diferentes usos, reforçando a ideia de continuidade. Nos interiores e varandas, a vegetação assume papel quase arquitetônico. Folhagens amplas filtram a luz natural, suavizam as linhas da construção e ampliam a percepção espacial. Plantas em vasos funcionam como esculturas vivas, pontuando ambientes e fortalecendo a relação fluida entre dentro e fora.
Com mais de 50 espécies tropicais — entre árvores, palmeiras, folhagens estruturais, capins ornamentais e forrações — o projeto reúne exemplares como Washingtonia, zâmia, carandá, butiá, strelitzia augusta, pandanus, yucca rostrata e ficus lyrata. A seleção privilegia massas contínuas, paleta cromática reduzida e arranjos elegantes que elegem o verde como fio condutor. O conjunto resulta em um jardim coeso, sensorial e profundamente conectado à paisagem brasileira.


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