
Fotos: Arquivo pessoal / Reprodução
Sempre fico particularmente encantada quando recebo alguém que enxerga a casa não apenas como espaço físico, mas como território simbólico, desses que revelam camadas de quem somos. E o episódio de hoje do Em Casa, videocast do Casa de Valentina, mergulha exatamente nessa dimensão mais profunda do morar. Meu convidado é Giancarlo Latorraca, arquiteto, curador, pesquisador, ex-diretor técnico do Museu da Casa Brasileira e coautor de Anônimos: móvel moderno brasileiro além dos ícones, recém-lançado pela editora Olhares.
Desde o início da nossa conversa, ficou claro que o olhar do Giancarlo ultrapassa a superfície. Ele acredita que a casa é o abrigo da existência, e é a partir dessa perspectiva antropológica que conduziu a reestruturação do acervo da casa brasileira, valorizando objetos do cotidiano, e não apenas peças vinculadas ao passado colonial. Ao ouvi-lo, comecei a repensar o quanto nossos móveis mais “comuns” carregam discursos, memórias e um senso íntimo de pertencimento.
Também falamos sobre algumas das peças doadas ao acervo do Museu da Casa Brasileira e sobre quais delas mais emocionam o Giancarlo enquanto organizador e estudioso do tema. Entre uma história e outra, ele trouxe reflexões preciosas sobre a fetichização de certos designers no décor brasileiro — essas figuras icônicas que sempre aparecem nos projetos, mas que nem sempre representam o repertório amplo e diverso do nosso design.
A conversa se aprofunda ainda mais quando ele compartilha, com generosidade, sua visão sobre diferentes épocas do design nacional. Uma verdadeira aula sobre como o tempo se materializa em formas, técnicas e linguagens. Falamos sobre designers que merecem maior reconhecimento, sobre os caminhos para que esse reconhecimento aconteça e sobre os efeitos colaterais da hipervalorização do mercado.
Outro ponto fundamental foi o papel dos colecionadores na preservação dos nossos móveis e a importância de políticas públicas que amparem a catalogação de peças históricas. Sem esse cuidado, parte essencial da nossa memória material corre o risco de se perder. E, conforme avançávamos, um tema recorrente ganhava força: a ideia da casa como laboratório da modernidade, onde a existência se manifesta em pequenos gestos, escolhas e objetos que carregam o cotidiano. A casa como espelho social, como palco onde famílias se reorganizam, criam vínculos, repetem hábitos e constroem identidade.
Se você, assim como eu, se interessa por arquitetura, design, memória e pela poesia do morar, este episódio está imperdível. Convido você a assistir à conversa completa com Giancarlo Latorraca no nosso canal do YouTube e mergulhar comigo nesse olhar tão sensível sobre a casa brasileira.
Aperte o PLAY para ver o videocast completo!
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