
Fotos: Fran Parente / Divulgação
Visitar o lar de um arquiteto que projetou a própria casa é sempre uma verdadeira aula sobre o morar. No novo Open House do canal, fui conhecer o apê assinado por Felipe Carolo, onde ele vive com o marido e seus três cachorros. O apartamento, em um prédio de 1978, revela como a história do edifício pode orientar decisões contemporâneas de forma consistente. Ao longo da visita, entendemos como a planta comprida e retangular foi determinante para as soluções adotadas e como a antiga sala em “L” foi transformada em um living mais quadrado e integrado, com cozinha aberta, alterando completamente a dinâmica da casa, tanto no cotidiano quanto ao receber.
A reforma foi ampla e envolveu a reconfiguração total da planta original, que tinha quatro dormitórios. Dois deles foram unificados para dar origem a uma suíte master com walk in closet integrado ao banheiro; outro foi convertido em home theater conectado ao office; e a área social passou a concentrar living, jantar e cozinha em um único ambiente de aproximadamente 80m². A integração era um desejo antigo do casal, mas sempre acompanhada de uma setorização cuidadosa, capaz de garantir conforto no uso diário.
A inspiração parte diretamente da arquitetura setentista do edifício, com pele de vidro e esquadrias de alumínio que evocam uma certa leitura americana daquele período. Felipe mergulha no universo dos anos 70 e início dos 80 para construir uma paleta mais densa, com madeiras escuras, tons terrosos e texturas marcantes. O quartzito palomino da ilha da cozinha se destaca como elemento central do projeto, tanto pela força visual quanto pela maneira como distribui suas nuances de cor pelo restante do ambiente, dialogando com o piso em ipê e com a marcenaria em tom mais profundo.
A gente conversa sobre essa paleta mais escura, sobre as curvas presentes na marcenaria e no desenho de alguns móveis, sobre o piso e sobre a escolha de materiais que equilibram estética e funcionalidade. Na cozinha e no estar, tudo foi pensado dentro dessa linha tênue entre o bonito e o prático, respeitando a rotina real dos moradores. A sala de TV integrada ao office, por exemplo, nasce da necessidade de ter um espaço mais reservado para o dia a dia, enquanto a área social permanece livre e preparada para receber.
Eu mostro também as áreas de convivência, os cantinhos criados para tornar o ambiente mais acolhedor, as peças garimpadas e restauradas, e os elementos que carregam história. A curadoria é parte essencial do projeto: obras de arte brasileira, mobiliário de diferentes épocas e criações autorais convivem de maneira orgânica, reforçando a identidade do espaço sem recorrer a fórmulas prontas.
Na área íntima, a atmosfera muda. A suíte master aposta em uma paleta clara e texturizada, criando um contraponto à densidade da área social. Nos banheiros, as pastilhas aplicadas do piso ao teto reinterpretam a linguagem do prédio de 1978 de maneira contemporânea, enquanto toda a infraestrutura elétrica e hidráulica foi refeita para atender às novas demandas de uso e tecnologia, preservando o pé-direito e a leitura arquitetônica original.
Se você gosta de reforma em prédio antigo, decoração com personalidade e soluções práticas para morar melhor, este episódio está cheio de referências e ideias que despertam vontade de experimentar. No vídeo completo, Felipe compartilha os bastidores da obra, as escolhas conceituais e os desafios enfrentados, revelando como conceito, técnica e vida real podem caminhar juntos perfeitamente.
Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo!





Deixar um comentário