10 2026

O modernismo carioca na Casa Glade | CASACOR Rio 2026

14 out, 2026 | Mostras, De 50 a 100 m2, Cidade

Fotos: Denilson Machado, do MCA Estúdio / Divulgação
Escritório:
PN+ | Paula Neder Arquitetura
Produção visual: Andrea Falchi
Área: 96m²
Localização: CASACOR Rio de Janeiro 2026 — Edifício Aliança da Bahia

Antes de escolher o que colocar dentro de um ambiente, há muito a observar do lado de fora. Na Casa Glade, projeto de Paula Neder e do coletivo PN+ para a CASACOR Rio de Janeiro 2026, as janelas contínuas enquadram o Palácio Gustavo Capanema e as copas das árvores do Centro carioca. Essa relação com o entorno orienta a proposta dos 96m², que reúnem estar, jantar e cozinha em uma planta aberta dedicada à convivência.

O endereço também participa das decisões. Instalado no Edifício Aliança da Bahia, construção modernista erguida entre 1957 e 1961, o ambiente valoriza características originais, como o pilar redondo recuado da fachada e as grandes aberturas. A partir dessa estrutura, o escritório aproxima mobiliário de diferentes épocas, obras de arte e referências pessoais da arquiteta.

Um percurso entre diferentes escalas

A integração dos espaços não significa que toda a casa se revele de uma só vez. Logo na entrada, o hall tem pé-direito rebaixado e um painel de muxarabi, criando uma passagem de escala mais contida antes da chegada à área principal. A transição faz com que a amplitude do estar seja percebida ao longo do percurso.

Na sala, sancas quadradas remetem a pérgolas e lajes nervuradas, estabelecendo outra conexão com a arquitetura modernista. O teto recebe a tonalidade Couro Amarelado, da Coral, enquanto os planos superiores das sancas ganham papel de parede texturizado. São escolhas que levam o olhar para cima e acrescentam textura à composição.

No restante do ambiente, o porcelanato cor de areia e a marcenaria no padrão Carvalho Hanover formam a base para o verde-escuro do tapete, da mesa e das cadeiras de jantar. Pontos de terracota completam a paleta, que acompanha a presença da vegetação dentro e fora do espaço.

Design e arte em convivência

O mobiliário reúne peças contemporâneas e exemplares de outras épocas, entre eles uma poltrona de Joaquim Tenreiro e as cadeiras da mesa do bar, da Móveis Flexor. A seleção cria relações com o edifício sem restringir os interiores a um único período.

Essa variedade aparece também na curadoria de arte, com obras de Geraldo Marcolini, Maria Fernanda Lucena, Ana Paula Protásio, Laura Villarosa, Katia Willie e Denise Stewart, além dos trabalhos em azulejo do Coletivo MUDA.

Uma mesa que parte da experiência pessoal

Na sala de jantar, a referência vem dos almoços de sábado preparados pela avó de Paula Neder. A lembrança se traduz no cuidado com a mesa posta, composta por louças coloridas, frutas, flores, tête-à-têtes e guardanapos de linho bordados à mão.

Os bordados trazem desenhos associados aos ingredientes da fragrância Chá Branco, da Glade, que também integra o ambiente. Em diálogo com o tema “Mente e Coração”, a proposta considera o olfato ao lado das cores e das texturas na percepção da casa.

Próxima à mesa, a cozinha participa da área de convivência, com bancadas e ilha revestidas por lâminas sinterizadas ultracompactas. A disposição sintetiza a ideia que organiza o projeto: aproximar o preparo dos alimentos, as refeições e as conversas. Entre a paisagem carioca vista pelas janelas e os gestos cotidianos de receber, a Casa Glade encontra seu ponto de partida no que acontece ao redor de uma mesa.