09 2026

Um apartamento com jeito de casa

28 set, 2026 | Apartamentos, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Luiza Schreier / Divulgação
Projeto: Rafael Ramos Arquitetura
Produção: Andrea Brito Velho
Área: 127 m²
Localização: Leblon, Rio de Janeiro

Transformar um apartamento em um lugar com atmosfera de casa foi o pedido que orientou o projeto de Rafael Ramos para este imóvel de 127 m², no Leblon. O proprietário, um advogado que mora sozinho, desejava ambientes conectados e espaço para convivência, mas também queria incorporar referências clássicas à decoração. A reforma nasceu desse encontro entre as preferências do morador e a linguagem contemporânea do escritório.

Adquirido com a intenção de passar por uma renovação completa, o apartamento havia sido construído na década de 2000 e estava em mau estado de conservação. A intervenção contemplou todos os cômodos, instalações e acabamentos, além de alterar a planta para aproximar cozinha, sala e varanda e reorganizar a área íntima.

Integração com diferentes possibilidades de uso

Na área social, a demolição da parede que separava a cozinha do corredor abriu caminho para uma conexão com a sala e para a instalação de uma ilha central. A cozinha passou a participar da convivência, com a possibilidade de ser fechada quando necessário: portas deslizantes de vidro canelado permitem alternar entre os dois usos.

A relação entre sala e varanda também foi revista. A esquadria existente deu lugar a um sistema de quatro folhas recolhíveis, que amplia a abertura entre os ambientes. Fechada em vidro e equipada como espaço gourmet, a varanda foi incorporada à rotina do apartamento, estendendo a área disponível para receber.

Na sala, um grande espelho, incluído a pedido do proprietário, ajuda a distribuir a luz natural e amplia a percepção do espaço. As cortinas de cambraia de linho branco se repetem na varanda, reforçando a continuidade entre os ambientes.

Referências clássicas e design contemporâneo

A cozinha concentra algumas das escolhas que melhor expressam o gosto do morador. A marcenaria verde-clara, de inspiração provençal, aparece ao lado da ilha central e do revestimento de tijolinhos geométricos, também solicitado por ele. Sua presença na área social tornou essas referências parte da composição do apartamento como um todo.

Para estabelecer uma relação com os elementos mais tradicionais, a seleção do mobiliário privilegiou peças de design brasileiro contemporâneo. Entre elas estão o sofá Roco, da Way Design, a poltrona Furada, a mesa de centro Quadra e a cadeira Malu. Todos os móveis e objetos foram adquiridos para o novo endereço.

A seleção de arte inclui um par de quadros de Sou Franco na sala, uma série de Guilherme Milward acima da cama e obras de Tomás Brito Velho. As peças acrescentam outras cores e formas à base de branco, madeira, bege e areia.

Materiais que conectam os ambientes

Embora a reforma tenha sido integral, o piso original de tábuas corridas foi preservado e restaurado. A madeira também orienta a escolha dos acabamentos da marcenaria, desenhada para criar unidade entre os espaços.

Nas paredes, a pintura Branco Neve serve de base para as diferentes texturas. O revestimento de tijolinhos bege marca o plano da televisão, enquanto o tapete da sala tem aparência próxima à do sisal, com uma composição que inclui material sintético produzido a partir da reciclagem de garrafas PET. Na varanda, o piso é o porcelanato Bloomy Off White, da Portobello.

Uma planta ajustada ao morador

A reorganização da área íntima resultou em três suítes. Uma delas é reversível, com banheiro que também atende à área social. A suíte principal ganhou área útil e dois closets, adequando o espaço à rotina do proprietário.

Entre desenvolvimento, aprovações, obra e decoração, o trabalho levou aproximadamente oito meses. Ao longo desse processo, a participação do cliente foi determinante para as decisões, desde a configuração dos ambientes até os acabamentos.

“Acredito que a arquitetura residencial também passa por esse processo de escuta e negociação”, afirma Rafael.

No apartamento do Leblon, essa escuta se traduz em escolhas concretas: a cozinha que pode se abrir para a sala, a varanda incorporada ao cotidiano e as referências clássicas que o morador queria encontrar em casa.