Entre o brutalismo e o minimalismo em 510m² com muito verde
10 jul, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: OKA Fotografia / Divulgação
Escritório: RB Arquitetura
Produção: parceria com João Scarmato
Paisagismo: Vitoria Chacur Araujo
Área: 510m²
Localização: Salvador, Bahia
Imagine o desafio de projetar a própria casa. Para a arquiteta Roberta Barral, à frente do escritório RB Arquitetura, a ausência de um “filtro externo” transformou a página em branco em um exercício liberdade estética. O resultado, batizado de Casa Mogno, é uma residência térrea de 510m² localizada em Salvador, que equilibra a imponência do brutalismo com o acolhimento de uma curadoria repleta de memórias familiares.
O desafio topográfico e o partido arquitetônico
O ponto de partida da edificação foi o desejo da família de trocar a vida em apartamento pela liberdade e o “pé no chão”. O terreno em declive apresentava um desafio técnico, superado magistralmente com a criação de um planalto artificial. Para que a casa térrea mantivesse a imponência frente ao entorno, Roberta adotou um pé-direito de 4,50 metros, que potencializa drasticamente a entrada de luz e a circulação do ar.
A planta se organiza de forma racional em três módulos distintos, integrados de maneira fluida:
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Serviço: Garagem, cozinha e área de serviço.
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Íntimo: Três suítes acolhedoras.
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Social: O coração da casa, abrigando salas de estar e jantar, escritório multifuncional e o espaço gourmet.
Brutalismo minimalista e elementos vazados
A estética do projeto é pautada pelo estilo brutalista minimalista. A paleta de materiais foca na verdade estrutural: pilares redondos e lajes em concreto aparente dividem o protagonismo com o piso contínuo em mármore branco rajado de cinza, uma elegante referência histórica à cultura de Salvador.
Um dos elementos mais marcantes da residência é o cobogó de cerâmica clara (modelo Pedrita, da Manufatti Revestimentos). Ele percorre o imóvel do início ao fim, funcionando como uma membrana permeável que divide as áreas de serviço e social sem criar barreiras opacas. Além do resgate cultural, o cobogó garante a circulação constante da brisa soteropolitana.
Integração radical com a natureza
Na Casa Mogno, a arquitetura abraça o entorno de maneira gentil. O jardim de inverno central conta com uma cobertura retrátil inteligente da Hunter Douglas (comercializada pela Quatro Estações), que funciona como um teto solar. Quando aberta, a sala se transforma em um pátio ensolarado; quando fechada, garante conforto térmico e proteção contra as chuvas.
A piscina com hidromassagem foi posicionada milimetricamente voltada para o poente, conectando a suíte master e o gourmet. Ela serve como um camarote particular para a família assistir ao entardecer baiano, emoldurada pelo paisagismo assinado por Vitoria Chacur Araujo, que traz espécies como pés de jabuticaba, ipê amarelo e cactos.
Curadoria afetiva: onde o novo e o antigo se encontram
Mais do que precisão técnica, a Casa Mogno é um cenário vivo de histórias. A decoração se apoia em uma curadoria afetiva primorosa, onde o design contemporâneo convive harmonicamente com relíquias de família.
O buffet, a cristaleira e a cadeira de balanço da avó foram recontextualizados com uma vibrante laca verde. Peças afetivas como um aparador antigo de madeira e imagens sacras transformaram o corredor da área íntima em um surpreendente altar de contemplação e conexão espiritual.
O mobiliário moderno traz peças consagradas, como o sofá Met e o banco Basso de Jader Almeida, a poltrona Rio de Bernardo Figueiredo e a poltrona Bertioga de Jean Gillon. Nas paredes, as artes de Carybé, Carlos Bastos, Guel Silveira e esculturas da Tria Galeria pontuam a identidade cultural e a alma deste refúgio urbano impecável.


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