Casa de veraneio com texturas naturais e conexão com a paisagem
22 jun, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Praia

Fotos: Denilson Machado, do MCA Estúdio / Divulgação
Arquitetura: Fernando Costa
Interiores: Lara Linhares
Paisagismo: Bruno Ary Paisagismo
Área: 635m²
Localização: Beberibe, Ceará
O horizonte plano da Lagoa do Uruaú, em Beberibe, dita o ritmo da implantação desta residência de veraneio com 635m² de área construída. Erguida em um terreno de 11 mil m², a morada foi idealizada para um casal jovem sem filhos, cuja premissa central consistia na criação de um refúgio focado na convivência e na reconexão visual com a paisagem litorânea. O desenho técnico, conduzido por Fernando Costa, e o projeto de interiores, assinado por Lara Linhares, nasceram em simultaneidade para amarrar os conceitos de amplitude espacial e naturalidade.
A implantação adota uma proposta que investiga as possibilidades da arquitetura contemporânea cearense frente à paisagem local. Para materializar a leveza estrutural solicitada pelos moradores, os profissionais optaram por um sistema construtivo misto. Volumes mais fechados e áreas íntimas concentram-se em caixas estruturais de concreto armado revestidas de pedra bruta, enquanto o setor social ganha o suporte de uma estrutura metálica esguia. Esse partido permitiu a execução de grandes vãos livres e coberturas inclinadas com forro de madeira que estendem o olhar em direção às águas da lagoa, sem barreiras visuais rígidas.
Integração espacial e o pavilhão de lazer
O fluxo da casa organiza-se a partir de um eixo de transição contínuo entre o interior e o exterior. O setor de recepção conecta-se diretamente ao pavilhão de lazer, o núcleo social da residência. Ali, a área gourmet, o estar e a varanda fundem-se em um plano horizontal que encontra o deque de madeira Cumaru. A piscina, revestida com a rocha natural Aquamarine, estabelece uma gradação cromática sutil com o azul da lagoa logo à frente, enquanto o paisagismo assinado por Bruno Ary emoldura os caminhos com espécies tropicais adaptadas ao clima litorâneo.
A fluidez dos ambientes remete, de forma contida e indireta, ao modo de morar dos pavilhões balineses, onde a ventilação cruzada e a iluminação natural atuam como componentes de conforto térmico. A transição livre entre a sombra das coberturas e as áreas descobertas estimula o uso dinâmico dos espaços ao longo do dia, respondendo à intenção original de promover uma rotina desacelerada.
Interiores texturizados e identidade local
Nos ambientes internos, Lara Linhares desenhou uma narrativa pautada pela homogeneidade cromática e pelo uso de materiais táteis. As superfícies verticais exibem texturas rústicas em tons crus e areia, servindo de fundo neutro para a seleção de mobiliário. A madeira desempenha o papel de fio condutor, aparecendo em ripas nos painéis, no forro e nos volumes dos móveis fixos.
“A decoração pode ser definida como contemporânea com influência natural, marcada por linhas limpas, elementos orgânicos e uma sutil referência ao lifestyle balinês, perceptível na fluidez dos espaços e na escolha dos materiais.”
A curadoria do mobiliário exterior e interior mescla o desenho autoral com a produção artística regional. Peças com assinatura da Dona Flor Mobiliário ocupam os ambientes de transição, pontuando a brasilidade por meio de tramas e acabamentos de alta resistência. O acervo de arte prioriza trabalhos de artistas cearenses, consolidando o vínculo da edificação com o seu território geográfico.
A atmosfera intimista da suíte master
O conceito de integração atinge seu ponto alto nos aposentos principais. A suíte master abdica de divisórias convencionais para unificar o dormitório e a sala de banho em um único plano visual. A banheira de imersão foi posicionada sobre um leito de seixos rolados brancos, flanqueada por painéis de madeira e amplas aberturas de vidro que emolduram a vegetação e a lagoa.
O forro inclinado em madeira acompanha a inclinação da cobertura externa, reforçando o acolhimento do ambiente privado. As escolhas têxteis seguem a paleta terrosa e natural que orienta o restante do imóvel, preservando a coerência estética estabelecida na concepção inicial da obra.
“Um dos principais pontos de atenção do projeto foi a localização, que trouxe algumas demandas logísticas ao longo do processo. Ainda assim, foram desafios pontuais, que não comprometeram o desenvolvimento nem a qualidade da execução. De modo geral, o projeto fluiu de forma muito positiva.”


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