Integração, memória afetiva e atemporalidade
16 abr, 2026 | De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Carolina Mossin / Divulgação
Escritório: MAGNO Ateliê | Arquitetura
Área: 131m²
Localização: Campo Belo, São Paulo
Este apartamento de 131m² assinado por MAGNO Ateliê | Arquitetura foi desenvolvido a partir de uma relação de confiança construída ao longo de 16 anos entre arquiteto e morador. Esse vínculo direto influenciou um processo mais fluido, com decisões bem alinhadas e um projeto pensado de forma bastante personalizada, considerando tanto a rotina atual quanto os planos futuros do cliente.
A proposta partiu de um objetivo claro: criar um espaço acolhedor, com identidade e sensação de permanência. A ideia era que o apartamento se afastasse da lógica de um imóvel de passagem e assumisse um caráter mais duradouro, com ambientes confortáveis e uma linguagem atemporal, como conta o morador:
“Eu queria entrar no apartamento e esquecer que estava em São Paulo. Queria sentir como se estivesse em uma casa de campo.”
A planta original passou por uma reorganização completa para atender essas expectativas. A varanda foi incorporada à área social, ampliando o espaço e fortalecendo a relação com a vista arborizada, um dos principais atrativos do imóvel. Essa integração também contribuiu para melhorar a circulação e tornar o uso dos ambientes mais contínuo no dia a dia.
Na área íntima, a antiga segunda suíte foi integrada à suíte principal, permitindo a criação de um closet mais amplo e de um banheiro com conceito de sala de banho. O espaço foi pensado para oferecer conforto e funcionalidade, com possibilidade de adaptação ao longo do tempo, acompanhando mudanças na rotina do morador. A área social foi desenhada para equilibrar o uso cotidiano com momentos de convivência. O espaço gourmet ganhou destaque e foi planejado como ponto central do apartamento, conectado ao estar e ao jantar. A proposta favorece encontros informais e amplia as possibilidades de uso, sem compartimentações rígidas.
A escolha de materiais reforça essa lógica, com predominância de elementos naturais e nacionais, como madeira tauari, pedras como Bege Bahia e Taj Mahal, além de couro, linho e palha. A combinação cria uma base neutra e consistente, que contribui para uma atmosfera confortável e fácil de manter ao longo do tempo. Já a memória afetiva aparece como um elemento estruturante do projeto, ainda que de forma discreta. Referências ligadas à história familiar do morador foram incorporadas em detalhes e escolhas específicas, como a presença do couro e peças que remetem a momentos vividos.
“Quando eu sentei na poltrona, me lembrou sentar ao lado do meu avô. Era exatamente a sensação que eu queria trazer para dentro do apartamento.”
Durante a obra, algumas decisões foram ajustadas para garantir melhor execução e coerência com o orçamento, como a substituição de elementos inicialmente previstos por soluções sob medida mais integradas ao projeto. O resultado é um apartamento funcional, bem resolvido e com uma identidade clara, pensado para acompanhar o morador ao longo dos anos.




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