Fotos: Renato Navarro / Divulgação
Paisagismo: Lapagarden

Entre o verde abundante e a arquitetura de décadas passadas, a casa que visitei para o Open House de hoje revela uma transformação construída com tempo, sensibilidade e escuta. Assinado pelo escritório Ju Bortolotto Arquitetura, o projeto nasceu do desejo de um casal — ele australiano, ela boliviana — de recriar, no Brasil, o estilo de vida que carregam de suas origens. O resultado é uma curadoria cuidadosa de memórias, proporções e novas camadas de aconchego.

A residência, já existente e com características típicas das décadas de 1970 e 1980, passou por uma transformação gradual ao longo de cerca de quatro anos. O processo começou com intervenções essenciais, como pintura, recuperação de pisos e infraestrutura, para que a família pudesse se mudar imediatamente. Só depois vieram as etapas mais autorais, desenvolvidas aos poucos, respeitando o ritmo da casa e os períodos em que os moradores estavam viajando. Como define a arquiteta, é possível reformar com a casa habitada, mas exige planejamento e alinhamento constante.

Um dos grandes desafios foi valorizar a arquitetura original sem recorrer a mudanças estruturais significativas. Elementos como o tijolinho aparente e o pé-direito generoso foram preservados, enquanto o aconchego foi introduzido por meio de marcenaria, tecidos e mobiliário na escala adequada. Em uma casa ampla como essa, muitos dos móveis antigos dos clientes simplesmente “desapareciam” no espaço, o que levou ao desenvolvimento de peças sob medida e a uma nova leitura das proporções.

A área social concentra boa parte dessas decisões. Integrada e fluida, ela abriga estar, jantar e home, com soluções que equilibram leveza e funcionalidade. A lareira, antes completamente branca, ganhou novo protagonismo com revestimento em limestone e marcenaria delicada ao redor. Já a sala de jantar se destaca por um móvel suspenso que parece flutuar, camuflando sua estrutura e reforçando a sensação de continuidade, além de um sistema versátil para exposição de obras, reflexo da vivência dos moradores em diferentes países.

Ao abrir as portas para o jardim, a casa revela outro de seus pontos altos. O paisagismo potencializa a vegetação já existente, enquanto intervenções pontuais, como o novo deck, o pergolado e os toldos retráteis, tornam a área externa mais confortável para o uso diário. A área gourmet, completamente redesenhada, traduz o desejo dos moradores de receber com frequência: equipada e acolhedora, ela se conecta à piscina, à sauna e até a uma academia integrada, reforçando o caráter multifuncional do projeto.

No pavimento superior, a área íntima segue a mesma lógica de intervenção cuidadosa. Em vez de reformas invasivas, os banheiros foram atualizados com nova marcenaria e iluminação mais quente, mantendo revestimentos originais. Os quartos revelam uma mistura afetiva entre peças trazidas de outras casas e novos elementos, compondo ambientes que equilibram memória e contemporaneidade. Objetos de viagem, obras de arte e até itens carregados de valor emocional ganham destaque na decoração.

Já no nível inferior, espaços como a brinquedoteca, a oficina e as áreas de apoio reforçam o caráter prático da casa, enquanto o jardim em desnível foi redesenhado com soluções de drenagem e caminhos que convidam à exploração. Ali, um futuro espaço para fogo de chão e um pequeno orquidário mostram como o projeto segue em evolução, acompanhando o uso e os desejos da família.

Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo!