
Fotos: Arquivo pessoal / Reprodução
Logo na chegada, já fica claro que este não é um apartamento comum! No Open House com Ana Paula Mofarrej, o que se revela é um espaço que traduz com naturalidade uma rotina intensa, criativa e, acima de tudo, muito pessoal. Pensado para ela e o irmão, o projeto parte de uma premissa pouco comum: criar um lar funcional e acolhedor para dois irmãos solteiros, sem abrir mão da personalidade.
Com 273m², o apartamento teve projeto assinado por Ana Carolina Zuin, que desenhou uma planta integrada, fluida e prática, conectando os ambientes sociais de forma contínua. A proposta foi clara desde o início: manter tudo aberto, privilegiando a convivência, mas garantindo o funcionamento eficiente da área de serviço e da rotina da casa. O resultado é um espaço que equilibra bem estética e uso real.
A sala principal, conectada à cozinha gourmet, é o coração do projeto. É ali que a vida acontece, seja no dia a dia ou nos encontros com amigos. A cozinha, aliás, ganha protagonismo não só pela integração, mas também pelo uso frequente, especialmente nos fins de semana, quando cozinhar vira programa. Ao mesmo tempo, existe uma cozinha de apoio mais reservada, pensada para a rotina prática da semana.
Um dos elementos mais marcantes do projeto são as estantes de madeira, que percorrem o ambiente com leveza e personalidade. Elas foram chumbadas na parede sem apoio no piso, criando um efeito visual interessante e desafiador do ponto de vista técnico. Executadas pela própria equipe de manutenção dos moradores, essas estantes reforçam o caráter único do apartamento e funcionam como suporte para objetos que contam histórias.
E são muitas histórias. Grande parte da decoração foi construída ao longo do tempo, com peças garimpadas em viagens de Marraquexe à Indonésia, passando por Madrid e Sevilha. Tapetes, vasos, tecidos e objetos afetivos transformam o espaço em uma espécie de diário visual. Não há pressa em finalizar: cada item chega aos poucos, respeitando o tempo e as experiências dos moradores.
Esse olhar mais espontâneo também se reflete nas escolhas decorativas. Em vez de um projeto totalmente engessado, Ana Paula preferiu construir o ambiente gradualmente, preservando sua identidade. É o oposto dos interiores padronizados: aqui, cada canto revela uma memória, uma história ou um significado, como o buquê de casamento eternizado com banho de prata ou a prancha personalizada que virou peça de destaque.
Por fim, o apartamento também carrega um discurso importante. A rotina de Ana Paula, marcada pelos esportes radicais, aparece não só nos objetos, mas na forma como ela ocupa o espaço. Há uma valorização da liberdade, da autenticidade e da quebra de padrões, seja na decoração ou na vida. O resultado é um lar vibrante, cheio de personalidade e que prova que, quando o projeto respeita quem mora ali, tudo faz mais sentido.
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